terça-feira, 13 de março de 2012

Qual a melhor roupa para uma mulher?

Atravessa as paginas do conto
A saudade de um dia de verão
Alguns verão que conto  e aumento um ponto
Aumento, mas não invento a emoção
Que a palavra não esconda o que é memória
E ali se encontre a delicia de uma história...
(Lewis Carrol – Alice no País dos espelhos)






            Li na publicação de um amigo que a mais elegante roupa que uma mulher pode vestir é o abraço do homem amado! A frase causou-me grande impacto embora não a tenha compreendido completamente no momento que li.
            Ontem, meus olhos, vagabundeando a esmo, pousaram no cabide vazio que dormia indolente e esquecido no puxador do armário. Imediatamente a mente vestiu-o de camisa social, calças cinza de corte impecável e meu corpo exudou um aroma deliciosamente conhecido.
            Num átimo, sua estrutura  larga e quente era o divã sobre o qual me apoiava, enquanto dedos ágeis me precorriam provocando frisson em minha pele. Deixei-me conduzir, dócil, pelos comandos murmurados ao meu ouvido, ä plenitude dos nossos desejos, ao êxtase de nossa busca sempre tão plena de ternura.
            O vento fresco da noite perdeu-se em contato com a tepidez da sua pele e os aromas de jasmim, que insistiam em entrar pela janela, retiraram-se discretos diante do perfume absolutamente inebriante do seu corpo... Naquele momento nada mais havia a não ser nós dois, ninguém mais existia que não fosse você: entre todas as estrelas, a mais brilhante, o sol refulgente que me tinge as retinas...
            Um sorriso terno pousou sobre meus lábios e qualquer observador mais atento teria lido seu nome nas entrelinhas desse sorriso, no brilho que certamente me cravejou os olhos, no cheiro que emanou de mim, mas ninguém viu o espetáculo de minha contemplação senão o cabide ocioso que fôra a testemunha de tão precioso acontecimento. Ele, apenas eu e ele, o cabide, escutamos seu sorriso quase infantil, percebemos seu constrangimento adolescente, observamos sua beleza máscula. Apenas nós dois ficamos absortos pela perfeição do seu talhe, a elegância de suas roupas, a finura dos seus modos, o carinho do seu toque!
            Então, finalmente, entendi a citação do meu amigo poeta: Não há roupa mais elegante em uma mulher que o abraço do homem amado!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Imagens

Gostaria de ter o dom da pintura para melhor expressar a beleza que guardo registrada em minhas recordações. Palavras são palhetas pobres para descrever sua beleza e tudo que em mim produz, como se um turbilhão de cores me invadisse  em forma de emoções .

Ergo os olhos e contemplo sua cabeça reclinada sobre minhas espáduas. Digno de Monet, caber-lhe-ia o nome de suave descanso ou doce arrepio, pois é o que sinto quando seu rosto toca minha nuca com a branda firmeza de quem sabe o quer e como conseguir.

Semicerro os olhos para apreender o espetáculo de suas mãos que, ladeando minha cabeça, equilibram com graça o peso do seu corpo, toda essa majestosa envergadura que tanto me fascina. Para elas, suas mãos, não mais que uma pena, um equilibrar-se seguro na força dócil dos seus braços de Adônis.

Como descrever, sem tintas ou pincéis, sem a virtuose de um Botticelli, de um Rafael, o perfeito encaixe dos corpos nas ondulações sensuais de momentos únicos? A perfeição de um sorriso que parece descer diretamente dos querubins para avalizar o gosto de um momento irretocável?

Como descrever o abraço que me tira o fôlego e me devolve a vida sem parecer contraditória? Palavras restringem o que a imagem alarga. Minha cabeça afundada no seu peito e o cheiro de terra quente, o toque macio da pelagem farta, o carinho perfeito na hora exata...

Gostaria de ser pintor, mas não o sendo, gostaria de ser poeta e exaltar em odes perfeitas, versos alexandrinos, toda a exuberância que me invade quando seu corpo toca o meu...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

SE UM PEIXE PENSASSE ELE ACREDITARIA QUE O UNIVERSO SE RESUME AO AQUARIO…

Recentemente li um artigo cujo titulo plajeio aqui. O autor conduzia o leitor a refletir como somos condicionados a padrões que nem sequer questionamos se são certos ou errados, nos acomodamos a segui-los porque outros, antes de nós, já seguiram e aparentemente deu certo. Ao final, o autor pergunta: E vc, autor, já pensou se vive dentro de um aquário pensando que vive no oceano?

O título, muito mais que o texto, me fez ficar pensativa. Será que vivo num aquário pensando que navego no oceano? Para o cumulo da coincidência – será que coincidências existem? – hoje, um grande amigo postou uma foto onde um peixinho dourado pulava de um pequeno aquário para um maior e, abaixo da foto, a legenda dizia: pode até não dar certo, mas se não tentar, como saber?

O oceano das nossas emoções vive constantemente cerceado, preso pelas paredes das convenções, o aquário das regras sociais onde navegamos em círculos concêntricos de desejos sufocados.

Há anos atrás abandonei um emprego estável: salário razoável, plano de saúde, ticket alimentação, etc e tal. Fui taxada de louca, irresponsável e tudo que se diz nesses momentos. Nunca me arrependi. Sou muito feliz sendo minha própria chefa, fazendo meu horário, determinando meu ritmo de trabalho, embora tenha que manter minhas contas na ponta do lápis e trabalhar muito e seriamente.

Tudo isso me leva a outra reflexão: Porque temos tanto medo de ser feliz? Porque pensamos que existe uma regra para ser feliz, que temos que caber em determinados parâmetros que as pessoas dizem ser o certo? O que é o certo quando se trata de ser feliz? Gente não é receita de bolo, não existe um manual para a vida feliz que se pareça a um aquário. A felicidade está no oceano, na imensidão do infinito.

Fecho os olhos e pulo. Seus braços me pegam, seguram, impedem o naufrágio. Você me toma pela mão e, com suavidade, me ensina a nadar... Qual o tamanho do oceano?

Há um sol no fundo do oceano e esse sol aquece meu peito e lentamente vou aprendendo que amar vale a pena!